Hanseníase tem cura

Suélem Cristina

A Hanseníase na antiguidade foi considerada uma doença contagiosa, mutante e incurável. Provocou uma atitude preconceituosa de rejeição e descriminação de seu portador, sendo este, normalmente excluído da sociedade.
O Brasil não conseguiu eliminar a hanseníase até 2005, como pretendia em 2000. Apesar do tratamento e da cura comprovadamente simples, do risco de contágio restrito e deformidades evitáveis quando diagnosticada cedo, a doença teve em 2007 taxa de prevalência de 2,3 novos casos a cada 10 mil habitantes. Bem abaixo dos 19,5 de 1990 e dos 4,52 de 2004, mas ainda quase três vezes maior que o índice aceito pela Organização Mundial da Saúde, de menos de um caso a cada 10 mil habitantes. Em Cambuí no ano de 2007 foi notificado dois casos com pessoas vindas das áreas de risco, como por exemplo, o norte de Minas. Este ano nenhum paciente foi diagnosticado com a doença na cidade.
De acordo com a enfermeira Érica Letícia Bueno a doença é causada por um micróbio (bacilo de Hansen), transmitido por vias respiratórias, que ataca principalmente nervos periféricos, pele e mucosa nasal, podendo afetar fígado, testículos, gânglios, juntas e olhos quando em fase avançada e sem tratamento. O sinal característico da doença é a perda da sensibilidade ao calor, à dor e ao tato nas áreas afetadas. Com tratamento à base de cartelas de poliquimioterapia (PQT), ou seja, um conjunto de comprimidos que matam os bacilos. “Muitas lesões são reversíveis, permitindo a cura da doença”, comenta.
Segundo Bueno a hanseníase pode ser transmitida por contato físico, mas é normalmente propagada pelas vias aéreas, após contato freqüente com a pessoa doente. “Para você ter uma idéia, uma pessoa é considerada suspeita de possuir hanseníase após um contato mínimo de cinco anos com o indivíduo doente. Isso geralmente acontece quando o doente faz parte da família e mora na mesma casa”. Bastante raro, mas existem casos nos quais o Bacilo de Hansen atinge apenas o nervo. Ou seja, não há lesões na pele, mas a pessoa tem perda de sensibilidade, além de formigamento no corpo e dor nos nervos dos braços, mãos, pernas e pés.
O tratamento da Hanseníase inclui uma medicação específica, além de reabilitação física e psicossocial nos casos mais graves (estágios mais avançados da doença, quando há deformidades e, em alguns casos, perda de membros). “O importante é não deixar a Hanseníase chegar aos estágios em que haja necessidade de reabilitação”, explica.
Há medicamentos diferentes, utilizados de acordo com o grau e a forma da doença. Trata-se de um coquetel de antibióticos, distribuídos gratuitamente nos postos de saúde. São pílulas de cores diversas, em cartelas. Todos estes medicamentos podem ser utilizados por gestantes e por portadores de HIV. O tempo de tratamento vai depender do número de lesões, o que pode demorar até 18 meses.
As pessoas que tiverem manchas na pele podem procurar a policlínica municipal, que o problema será investigado e se constatado o tratamento será feito inteiramente gratuito.

Diferentes tipos de Hanseníase

Hanseníase indeterminada: forma inicial, evolui espontaneamente para a cura na maioria dos casos e para as outras formas da doença em cerca de 25% dos casos. Geralmente, encontra-se apenas uma lesão, de cor mais clara que a pele normal, com diminuição da sensibilidade. Mais comum em crianças.
Hanseníase tuberculóide: forma mais benigna e localizada, ocorre em pessoas com alta resistência ao bacilo. As lesões são poucas (ou única), de limites bem definidos e um pouco elevados e com ausência de sensibilidade (dormência). Ocorrem alterações nos nervos próximos à lesão, podendo causar dor, fraqueza e atrofia muscular.
Hanseníase borderline (ou dimorfa): forma intermediária que é resultado de uma imunidade também intermediária. O número de lesões é maior, formando manchas que podem atingir grandes áreas da pele, envolvendo partes da pele sadia. O acometimento dos nervos é mais extenso.
Hanseníase virchowiana (ou lepromatosa): nestes casos a imunidade é nula e o bacilo se multiplica muito, levando a um quadro mais grave, com anestesia dos pés e mãos que favorecem os traumatismos e feridas que podem causar deformidades, atrofia muscular, inchaço das pernas e surgimento de lesões elevadas na pele (nódulos). Órgãos internos também são acometidos pela doença.

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Edição On-line do Jornal O Regional das Alterosas Edição 86
Atualizado por: Simone Bonatti 03/07/08