De raízes a belas peças de artesanato

Suélem Cristina

Gonçalves - Expressão artística de índole eminentemente popular, o artesanato exprime-se as vivências dos artistas e do seu espírito criativo e inovador, com necessidade em idealizar a arte numa peça.
Dar vida aos materiais encontrados na natureza significa muito para o artesão Walter Ferreira de Castro. Ele conta que ao olhar uma árvore uma raiz ou mesmo um galho, a percepção do real e do imaginário se molda num material que nos encanta pelo seu valor estético e pela sua originalidade.
Em Gonçalves, artesãos de todas as idades e saberes dedicam-se de forma muito pessoal a esta nobre atividade, que enche a cidade de orgulho. Com técnicas muito pessoais, estas matérias-primas são transformadas em miniaturas de cavalos, pássaros, corujas e cobras. Dos mesmos materiais, com paciência e inspiração, nascem pequenos espigueiros, ninhos de pássaros, exemplares de antigos meios de transporte, como os carros de bois, enfim, lembranças de um tempo de infância.
Na família de Castro existem vários artesãos, a começar pela sua mãe que mesmo com 90 anos, dedica parte de seu tempo na confecção de artesanato. Seus irmãos também herdaram da mãe o gosto pela arte. Ele conta que após ver peças com raízes em uma feira em São José dos Campos queria aprender as técnicas e quando trabalhava como fiscal de obras em Gonçalves ficava admirando os vários modelos de troncos e a partir daí começou a treinar e hoje após 30 anos dos primeiros trabalhos, já perdeu a conta de quantas peças já fez.
Segundo Castro ao olhar os galhos já imaginava em que este poderia ser transformado. “A prática faz com que o trabalho fique cada vez mais inovador”. Ele conta ainda que o trabalho é uma terapia, pois o ajuda a tratar da artrite, que limita os movimentos. “O médico recomendou para que eu não parasse com o artesanato, porque me ajuda como terapia”, explica.
O artesão já participou de diversas feiras em várias cidades, como por exemplo, em São Lourenço, Campos do Jordão, Caxambu, Ouro Fino, Bom Repouso, Estiva, entre outros. Ele acredita que o artesanato não é bem valorizado e que seus maiores clientes são turistas. “É preciso investir mais nessa cultura que atrai tantos olhares e traz recursos para as cidades”, comenta.
É assim o artesanato em Gonçalves, diversificado, criativo e inovador. Embora conservando muitos dos traços do passado, desta terra secular, os seus artesãos congregam na variedade dos objetos que produzem uma personalidade única. “Quando vejo uma peça pronta fico muito orgulhoso. Este é um dom que a gente tem”, conclui.
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Edição On-line do Jornal O Regional das Alterosas Edição 86
Atualizado por: Simone Bonatti 03/07/08