Grupo de Teatro e Cinema completa 25 anos

Cambuí - Assim como um jovem que ao completar 25 anos olha para trás e consegue observar todas as mudanças e conquistas de sua vida, o Grupo de Teatro e Cinema de Cambuí também faz essa reflexão. No dia 1º de janeiro de 1982 surgia juntamente com o MCC - Movimento Cultural Cambuiense, o GTC. O fundador do grupo e diretor de teatro João Eiras, avalia nessas bodas de prata tudo o que foi feito e todos os atores que já passaram pelo GTC.
Buscando a inovação e o descobrimento de jovens artistas, o grupo já apresentou 40 encenações e revelou mais de 150 atores, que no teatro encontraram uma nova vertente artística e uma grande paixão. Alguns dos atores que iniciaram no Grupo, hoje atuam profissionalmente na área. Segundo João Carlos de Brito, mais conhecido como “Joca” o grupo amadureceu muito nesses 25 anos de estrada. “Joca” participa do grupo desde sua fundação e já encenou inúmeros personagens.

Foram muitas viagens por municípios de Minas Gerais e São Paulo que agregaram experiência aos mais antigos no Grupo, que hoje compartilham com os iniciantes. Uma característica peculiar do GTC é a preferência por encenação de obras de autores mineiros. “Certa vez quando fomos apresentar em São Paulo, nos disseram que não se interessavam, pois lá já existiam muitos grupos que montavam peças clássicas e nos sugeriram que encenássemos obras de autores da região”, conta Eiras.
O grupo também foi motivo de incentivo para que cada escola na cidade criasse seus trabalhos teatrais independentes, nascendo assim 16 novos grupos cambuienses. Hoje, a cidade é uma das que mais têm grupos teatrais da região. No flyer de divulgação das peças que foram encenadas em comemoração aos 25 anos, tinha uma explanação sobre as apresentações e também sobre o grupo, a fim de fazer com que todos conhecessem um pouco mais dos caminhos trilhados por cada integrante que participa ou já participou do GTC.

Comemoração do aniversário
Entre os dias 23 e 25 de abril, o Grupo apresentou uma “dobradinha” de duas obras do autor santarritense Waldir de Luna Carneiro. Foram elas “O Mensageiro da Fé”, conta a história de dois golpistas que tentam enganar um grupo de beatas e “A Mandinga”, retrata a situação de duas famílias que tentam arranjar o casamento dos filhos, mas logo percebem que não seria um bom negócio.
São duas comédias encenadas em única sessão que comemoraram os 25 anos do GTC. O público que lotou o Teatro do Paço, deu boas risadas dos personagens caricatos como Dito Araponga, encenado por Dênis Dias, e seu pai Hilário Araponga, encenado por “Joca”. A 1ª peça apresentada faz uma crítica inteligente aos padrões da igreja atual e seus fiéis, onde a personagem Bageta Nassar, interpretada por Neusa Maria mostrou uma mistura fina de boa interpretação com humor de qualidade.

Segundo o diretor das peças, João Eiras, foi o autor das obras quem o procurou para que o grupo montasse suas peças. Foram 10 atores que estiveram em cena, representando os fortes personagens definidos por Carneiro.
Para Luís César Fonseca interpretar a Dona Antônia, uma senhora freqüentadora assídua de igreja, foi um desafio. “Colocar salto alto, meia calça e usar batom não é fácil”, brinca. Dias que também interpretou uma personagem mulher concordou com a afirmação, mas acredita que todo o esforço vale a pena para aprender mais.
Os artistas fazem vários sacrifícios pela arte para que a imaginação dos espectadores ultrapasse o limite entre realidade e fantasia. Exemplo disso é Fonseca que depilou o peito para encarnar melhor a personagem que interpretou e dar mais realismo à Dona Antônia. “Tirar o grave da voz também foi difícil”, conta quando fala a respeito do laboratório que fez para caracterizar sua personagem.

Catherine Rocha


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