Ações
de Fiscais do Trabalho visam combater aliciamento na região
Senador
Amaral
- Uma ação desenvolvida pelo GIAT Grupo Integrado de Apoio
ao Trabalhador, constituído por Auditores Fiscais da Delegacia Regional
do Trabalho de Belo Horizonte, da Subdelegacia do Trabalho de Pouso Alegre e do
Ministério Público do Trabalho da 3ª região em Belo
Horizonte, aconteceu em Senador Amaral entre os dias 17 a 20 de abril. A ação
também contou com o apoio do Pelotão da Polícia Militar Ambiental
de Camanducaia e da 149ª Companhia da Polícia Militar de Cambuí.
Essa ação teve o objetivo de fiscalizar as condições
de trabalho na zona rural do município implementando normas de saúde,
segurança e da legislação trabalhista, no início da
safra da colheita do morango. Essa visita estava prevista no Planejamento Anual
de ações estipuladas pela DRT/MG, que prevê as ações
de acordo com a época da safra das diversas culturas em todo o estado de
Minas Gerais. Essas operações visam combater o aliciamento de trabalhadores.
Em geral, quando os trabalhadores chegam até a lavoura se deparam com situações
iguais ou piores às que viviam em sua terra natal. Muitos dos migrantes
trazem família com crianças, e na maioria das vezes não conseguem
retornar para o estado de origem por fatores financeiros, além da coação
moral que sofrem por parte dos empregadores.
Os fiscais das áreas de saúde e segurança, e da área
de legislação fizeram uma inspeção física do
local, analisando os registros nas carteiras de trabalho de cada funcionário,
condições de saúde e sanitárias, exames médicos
admissionais, fornecimento de equipamento de proteção individual,
disponibilização de moradias adequadas, riscos do contato, controle
e manuseio de agrotóxicos e segurança no trabalho.
No caso de Senador Amaral, foi constatado um número grande de trabalhadores
que chegam do Maranhão e de Tocantins até a cidade para fazer a
plantação e colheita de morango, cultura forte na região
e principal fonte de renda do município. Segundo informações
passadas pelos fiscais, as irregularidades encontradas foram muitas desde a falta
de registro dos empregados até o desrespeito total às condições
de alojamento para os trabalhadores, que são precárias.
Embora várias irregularidades tenham sido registradas, os proprietários
das plantações receberam a equipe de fiscais sem hostilidade e demonstraram
disposição para se adequar segundo as exigências feitas,
relata um dos fiscais.
Após o levantamento físico do local e o mapeamento da área,
inclusive com cobertura fotográfica, o empregador é notificado para
regularizar a situação em prazo de dois a oito dias, dependendo
dos atributos e respeitando os limites da lei, continua outro fiscal.
Ainda de acordo com os fiscais, após essas ações normalmente
há um bom nível de regularização dos empregados e
o efeito multiplicador na região também é muito forte. Preliminarmente,
face às irregularidades foram emitidos 13 autos de infração
e regularizados 60 vínculos empregatícios com as respectivas carteiras
de trabalho anotadas. Trinta e cinco trabalhadores foram retirados de barracos
plásticos sem nenhuma condição sanitária e transferidos
para imóveis na área urbana de Senador Amaral.
De acordo com o representante do Ministério Público do Trabalho
envolvido na ação, a Procuradoria, com base nas autuações
procedidas pelos auditores fiscais pode instaurar inquérito civil e processos
investigatórios que conduzem à responsabilização cível
e penal dos infratores. O Procurador explica ainda que, o aliciamento é
considerado um dos elementos facilitadores do trabalho escravo atualmente, visto
que tais ações fazem com que os trabalhadores fiquem presos ao empregador
e não consigam se desvencilhar dos mesmos.
Ele ressalta ainda que, faltam ações efetivas por parte dos poderes
públicos para possibilitar boas condições aos trabalhadores,
evitando assim o deslocamento para outras regiões em busca de trabalho
e melhores condições de vida.
É importante frisar que essas ações são passadas para
as equipes de fiscais com poucos dias de antecedência, não podendo
assim ser feita uma previsão em quais cidades a fiscalização
acontecerá. Portanto, respeitar as leis trabalhistas e as condições
ideais de trabalho dos empregados, é fundamental para que essas ações
não surpreendam os empregadores.
E sempre que a população sentir necessidade ou constatar desrespeito
às leis trabalhistas, pode colaborar com os órgãos fiscalizadores
do trabalho efetuando denúncias junto à Ouvidoria do Ministério
do Trabalho e Emprego pelo site: www.mte.gov.br ou comunicando-se diretamente
com a Delegacia Regional do Trabalho em Belo Horizonte pelos telefones (31)3270-6140
ou (31)3270-6151 e fax (31) 3201-0121, na Coordenação de Fiscalização
Rural e também perante a Procuradoria do Trabalho através do site:
www.prt3.gov.br.
* Os Auditores
Fiscais que deram a entrevista exclusiva ao Jornal O Regional das Alterosas,
preferiram não ter seus nomes divulgados na matéria.
Catherine Rocha
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