Desejos

Hoje li uma bela história sufi que falava do encontro inesperado de um imperador com um mendigo. O imperador, sensibilizado pela pobreza do mendigo, perguntou o que ele mais desejava. A surpresa veio quando viu o mendigo dar gargalhadas e disser que nada adiantaria ele dizer sobre os seus desejos, pois o imperador nunca conseguiria satisfazê-los.

O imperador revoltado e sentindo-se ferido pelo seu orgulho, chamou um súdito e ordenou que enchesse a cumbuca do mendigo com alimentos exóticos, saborosos e raros. Ficou surpreso com o que presenciou, pois ‘a medida que os alimentos chegavam na cumbuca eles desapareciam, como se a cumbuca não tivesse fundo.
O imperador não entendendo nada, chamou outro súdito e pediu que trouxesse jóias raras, mas o fato continuava. E assim ele foi trazendo do seu império tudo de valor que pudesse ser colocado na cumbuca, mas nada permanecia.

Não entendendo nada e já decepcionado, ajoelhou-se ao mendigo reconhecendo sua impotência e pediu carinhosamente que o mendigo lhe contasse o que acontecia com a cumbuca. O mendigo, amorosamente, disse que ela era feita da mente humana, simplesmente do desejo humano. O mendigo começou então a dar uma lição de vida, dizendo que os desejos humanos nunca findavam e por isso o ser humano era um eterno infeliz e de certa forma, sempre estava mendigando algo pela vida, pois acreditava que a felicidade se encontrava em algo externo. Quando queria um carro novo e caro, era motivado pelo desejo até conseguir satisfazê-lo, mas em seguida, já queria uma fazenda e depois uma companhia mais jovem e bela e depois mudar de emprego e depois conhecer locais novos e assim sucessivamente.

A sabedoria desta vida se encontra justamente no mergulho interno, na viagem ao seu centro, no encontro com sua alma, pois somente assim conseguiremos acalmar nossos desejos, sermos mais seguros, tranqüilos e felizes.
O mendigo da nossa história não era um simples mendigo. Ele havia sido o mestre do imperador, numa vida passada. O imperador não havia aprendido a lição e nem seguido os ensinamentos do seu mestre, que havia lhe dito que eles voltariam a se encontrar numa próxima vida, onde o mestre estaria despertando-o.
Que consigamos ter coragem para marcar um encontro com nossa alma e nossa centelha de luz, sem perder tempo com as distrações do mundo externo.
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Beatriz Marcos Telles é professora universitária, terapeuta holística e tem se esforçado muito para não se “distrair”, enquanto caminha pela vida.
Agradece o aluno Luciano Trindade que a presenteou com o pequeno e fascinante livro Lótus (história zen, sufi, taoísta, budista, cristã e outras... da Prem Deepti).
email: biatelles@gmail.com




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