Um livro, um disco e um filme.

Existem obras da cultura pop que parecem, mesmo não sendo contemporâneas, se complementarem, às vezes servindo de influência explícita, outras apenas implícita, que apenas se mostram similares na sua linha narrativa, e hora ou outra trás elementos que nos fazem pensar “Puxa vida, já vi isso em algum lugar”. É o caso das três obras desta edição, obras de artes diferentes que parecem acenar uma para a outra, de maneiras distintas, mas bem presentes.

O Apanhador no campo de Centeio: Esse clássico da literatura mundial de J.D Salinger, publicado em 1951, conta a história de um adolescente de 16 anos que, expulso da escola, volta para casa contestando a sociedade que o cerca e sua função nessa mesma sociedade. Se rebelando contra ela a seu modo, com uma ironia e acidez muitas vezes até pueril.

Excuse for the travellers: Terceiro disco da banda inglesa Mojave 3, que nos anos 90 atendia pelo nome de Slowdive, parece criar um trilha sonora para a viajem de Holden Calfield, a personagem do livro acima citado. O folk “americano” feito por esses ingleses remete às paisagens áridas dos desertos americanos, as letras fala da busca do amor, da paz e do sentido de tudo aquilo que nos cerca, de uma maneira incrivelmente bela e bucolicamente triste. A música que mais remete à obra de Salinger é “My Life in Art”.

Era tudo que eu queria (Try 17): Filme americano que traz Elijah Wood no papel de um adolescente que abandona a faculdade no primeiro dia de aula e tenta se tornar um escritor. Trazendo como bagagem uma mãe alcoólatra, um pai ausente e uma mente cheia de fantasias.
Morando sozinho num prédio cercado por excêntricos vizinhos, o garoto vai aos poucos se tornando um adulto, com a descoberta do amor, da amizade e da felicidade.
Ponto de Convergência: Onde essas três obras se encontram? Bem, na verdade eu não sei. Mas esse ponto pode ser a busca da maturidade, a vontade de se virar sozinho presente nas personagens do livro, do filme e em algumas canções do M3. Os obstáculos que nós próprios nos impormos para justificar nossos erros, como fraqueza, medo e incapacidade. O medo de enfrentar o desconhecido. Temáticas presentes também em outras obras como, A Primeira noite de um Homem (The graduate) e Por um sentido na vida (The Good Girl), ou até mesmo nas canções do Green Day e Belle & Sebastian.

“And you cry like a baby. You feel so a lone. She broke you so softly. You can´t see the blame. Like a dog with a bone. You refuse to let go”. She broke you so softly, Mojave 3.

Leandro Fabrício


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