Rio
ameaça derrubar casas
Córrego
do Bom Jesus - As chuvas que caem torrencialmente na região já
há alguns dias vem causando transtorno e tirando o sono dos moradores
da Vila Claret, no Córrego. É que um rio que passa por essa região
está ameaçando algumas casas, construídas às margens
dele.
Em alguns pontos já se é possível observar parte do barranco
desmoronado, podendo afetar a qualquer instante alguma das casas existentes.
Uma das casas ameaçadas pertence à Gisele Cristina Galvão,
27, que se encontra preocupada com a situação. Já
fui várias vezes falar com o prefeito e ele somente diz que poderá
fazer alguma coisa após o término das chuvas. E até lá,
o que eu faço?, diz indignada.
Segundo os moradores, o loteamento foi feito há seis anos, pelo ex-prefeito
Laércio do Carmo da Silva. O João (de Deus, atual prefeito)
fazia parte do governo do Laércio e sabia dessa nossa situação,
declara Galvão.
Com as chuvas o rio tem subido, o que vem trazendo alguns riscos não
só às casas ribeirinhas, mas as outras casas da vila. Nessa mesma
época, em 2004, a Vila Claret foi atingida por uma forte enchente, que
alagou praticamente todo o bairro. As águas do rio não tiveram
vasão suficiente e derrubaram muros, invadindo as casas.
Para Maria da Penha Pereira, 30, a situação pode piorar ainda
mais. Nós procuramos o João para saber o que pode ser feito.
Mas, até esperar a seca, que não sabemos quando vem, poderá
piorar ainda mais. Têm casas aqui que já não estão
em condições de ter moradores, aponta.
Pereira também mostra um dos locais mais atingidos. Uma casa, próxima
a uma das curvas que o rio faz, tem seu terreiro completamente invadido pelas
águas. Ela conta que quando o rio está muito cheio, a água
não consegue seguir adiante e invade esse terreiro. Fica um cheiro horrível.
Como foi feito um aterro aqui, a água não consegue sair.
Além das casas, os moradores apontam também problemas na pista
de skate, construída ano passado. Algumas trincas apareceram e a estrutura,
segundo eles, está ameaçada. Construíram essa pista,
mas estamos percebendo que ela pouco tem sido usada. Só quando vem uma
turma de Cambuí. A criançada daqui vai lá e fica escorregando,
podendo se machucar. O pessoal que anda de skate mesmo, continua aqui na praça.
E ela está trincando, afirma Zerivânio Alves de Souza, 36.
Procurado para esclarecer essas questões, o prefeito João Batista
Ribeiro, mais conhecido como João de Deus, afirmou que está
nos seus planos a melhoria do local. A promotora já liberou para
que fizéssemos o muro de arrimo, afirmou. Mas, segundo ele, a obra
não foi feita devido às inúmeras obras que o município
estava executando. Na época não foi feito porque estávamos
na fase de construção do ginásio poliesportivo. Não
deu para mexer naquele serviço lá, afirmou.
Ribeiro ainda reafirmou a informação transmitida pelos moradores,
de que só arrumará o local após o término das chuvas.
Estou esperando as secas, porque com o rio dando enchentes todo o dia,
fica difícil trabalhar. É só entrar o tempo das secas que
estaremos providenciando aquilo lá. É uma obra cara. Compensaria
até tirar aquela primeira fileira de casas dali, que está na beira
do rio, mudar num outro terreno, fazer as casas para eles. Estamos vendo valores
para isso, para ver se é viável ou não, garante.
Enquanto as secas não vêm, o prefeito ofereceu alguns locais para
que os moradores possam se instalar, caso as enchentes comecem novamente. Enquanto
isso, a população daquele local terá que ter paciência,
segundo Ribeiro. Eles vão ter que agüentar. Eu ofereci para
o pessoal que está na área de risco alojamentos e um lugar para
estarem mudando, para não ter perigo. Temos a escola, o ginásio
poliesportivo, há duas salas grandes ali. Estaríamos tirando os
moradores de lá. Mas, segundo eles, ninguém quer sair de lá.
Oferecemos caminhões para mudança, mas eles não querem
sair, comenta o impasse.
Para a construção do muro, o prefeito desmentiu a informação
de que já existe o dinheiro em caixa para a realização
da obra. Segundo ele, terá que ser feito um aperto no caixa, tirar
do fundo de participação, para conseguirmos realizar a obra necessária,
completa.
Luís César Fonseca