Paixão em 2005

Quando estamos apaixonados, o mundo fica cor de rosa e tudo fica mais bonito.
Descobri recentemente que é possível viver de forma apaixonada e independente, ou seja, não precisamos ficar na expectativa do outro nos reconhecer, do outro nos aceitar até porque podemos nos apaixonar com muita intensidade, tanto por pessoas como por projetos.

Desta forma passo a descomplicar o meu mundo e encontrar formas de vivê-lo cor de rosa.
Se me sinto sozinha e abandonada por estar viúva, separada com os filhos já adultos e cada um já com vida própria e longe de mim, maravilha, pois posso agora me apaixonar perdidamente sem culpa e sem remorsos por uma causa social, pela especialização de uma arte (música, pintura, culinária, artesanato), por um hobby, onde posso mergulhar nele em todos os sentidos através de práticas físicas, livros, conversas, teorias, pesquisas, etc.
Se o que me faz falta são as crianças em volta de mim, brincando e me questionando, ou a minha preocupação com elas quanto ao seu futuro, posso acionar a mãe universal que habita meu coração e me entregar a uma creche ou orfanato, ou até me aproximar de alguma família carente e apoiar na educação das crianças, como se fossem as minhas próprias, levá-las para passar o dia comigo, acompanhar nos deveres escolares e dar boas gargalhadas. Ainda posso expandir isso e cuidar de outras crianças de outras famílias, ao mesmo tempo. Desta forma posso até ficar com a parte que gosto mais e escolher.
Não é legal ?

Se quero muito ser mãe, se estou sem namorado e beirando a menopausa, posso me apaixonar por outras crianças que andam pela vida sedentas de amor, chegar de mansinho, afagar os cabelos, os cachinhos, oferecer um pirulito e meu amor. Impossível resistir a esta tentação, pelo menos minha criança ia gostar muito.
Entendo que temos que exercitar esta arte da paixão sem ficar cobrando do outro ou reclamando da falta de sorte na vida.
Se invejo minhas amigas que vivem com a casa cheia de pessoas batendo papo e ouvindo música e minha casa é sempre triste e vazia, posso fazer o movimento contrário e ir em busca desse ideal. Invento uma festa ou um jantar temático para reunir pessoas. Se não tenho amigos íntimos, posso me abrir para esta intimidade e sempre dar o primeiro passo, mesmo que seja difícil no começo.

Tenho percebido que a maioria de nós reclama demais mas faz de menos, se movimenta pouco para sair da situação desagradável.
Se encano que ninguém lembra do meu aniversário, passo a me programar para lembrar do aniversário de todos que queria que me ligassem. Agendo e invento formas criativas de estar presente no grande dia deles : uma serenata encomendada, um telefonema, uma carta, um almoço surpresa, um presente fantástico, uma viagem partilhada para por o “tricô em dia”.

É isso mesmo, a dica é tirar o foco de si, sair da posição de vítima e fazer para o outro, com qualidade impecável e curtir, como se fosse você quem estivesse recebendo.
No Reveillon fiz isso. Foi emocionante. Todos na mesa para a ceia e após a oração inicial, quando levantaram os pratos, encontraram uma mensagem personalizada e escrita à mão. Fantástico esse carinho que dediquei. Juro prá vocês que consegui sentir como se fosse um deles recebendo a mensagem. Como gostaria que fizessem isso para mim, faço para os outros de forma apaixonada e encontro a felicidade nestas pequenas coisas, nestes pequenos movimentos que até podem ser considerados “brega” por alguns.
Quando viajo, deixo bilhetes surpresas debaixo do travesseiro de meu marido. Os bilhetes são diferentes pois precisam ser adequados à fase que estamos vivendo mas é legal receber.

Se eu os recebo ? É claro que não e isso me deixava muito chateada até que acordei e resolvi me observar. Se deixava de fazer por “vingança”, para ver se o outro se tocava, errava pois o outro funciona diferente de mim e eu deixava de ser eu mesma. Então resolvi deixar minha estrelinha brilhar, sempre que ela quiser se manifestar e então ... sentir o gosto maravilhoso da paixão.
Percebi que a paixão muda sim com a idade, com o tempo de convíveo mas, transformei a minha forma, sem depender da reação do outro e isso me deixa bem mais feliz e poderosa !
Posso hoje, com 43 anos, sentir bem mais do que antes, com 18 anos, desde que use a forma nova de paixão, uma forma libertária.
Hoje posso cortar o cabelo bem curtinho, me apresentar mais prá João do que prá Cinderela e me apaixonar pela coragem, pela determinação e pelo significado que essa ousadia me traz, assim como a determinação em fazer regime. Isso é apaixonante, uma paixão por uma causa, por descobrir novos modelos e fórmulas de ser feliz, sem ficar dependendo da aprovação dos outros.

Pena que isso eu só esteja conseguindo agora, aos 43 anos mas, que bom que isso esteja acontecendo agora, aos 43 anos e não num amanhã que não sei se estarei presente.
Hoje me apaixono pelos meus gatos, por um olhar brilhante de alguém me contando uma vitória pessoal, por uma melhor performance sexual, pelo corpo modelado de alguma amiga que batalhou e atingiu a meta, por um amigo satisfeito me contando que conseguiu se aproximar da esposa depois de ter deixado posturas radicais de lado, por famílias que conseguem ter diálogo nas refeições, pelo carinho e prazer de falar ao telefone com minhas cunhadinhas, por um ex-namorado acompanhado da atual esposa grávida, que se aconchega de mansinho a minha volta onde as mágoas foram deixadas de lado e a amizade reinando cor-de-rosa, por cada mandala nova que descubro na natureza, toda vez que me entrego a ela, pelas minhas transformações interiores.

Tenho contato com algumas pessoas que não conseguem mais sentir nada, que perderam o brilho do olho, que não gostam de pessoas, de conversas, de beijos na boca, de dormir agarrado, de compartilhar o mesmo cobertor. É triste olhar para elas. A falta de perspectivas numa vida tão promissora, tão abundante.
Não tenho podido viajar para lugares especiais como gostaria mas tenho conseguido fazer grandes viagens interiores e astrais, guiadas por seres muito, mas muito especiais. Tenho aprendido a curtir o que tenho no momento, as novas descobertas, saber que posso tirar e criar sons do meu corpo e que em grupo posso ter uma orquestra, sem gastar um centavo, inspirada pelos Barbatuques (grupo de percussão corporal). Isso é muito, muito especial e desmistifica aquela idéia de que para ser feliz preciso gastar dinheiro.
Não dá para ser feliz sem ter medo de errar, de experimentar, de cair no ridículo, de ouvir não e de ouvir sim.

Para ser feliz temos que ter conhecimento, sabedoria e ação, a famosa trindade espiritual.
Neste 2005 quero AÇÃO ! Realizar coisas tangíveis, grandes ou pequenas, fáceis ou difíceis, em grupo E sozinha pois creio sim num mundo melhor, numa TERRA harmônica e equilibrada, numa educação honesta, numa nova raça amorosa e de fato inteligente que já envia sinais.
E para todos nós, um 2005 cheio de realizações; que tenhamos coragem de colocar nossas teorias e nossos discursos na prática.
Que a chuva de bênçãos divina, caia sobre todos !
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Beatriz Marcos Telles é professora universitária (UNIVAS), consultora holística (Pousada Céu de Luz) e uma incansável “buscadora”. Contatos: biatelles@uol.com.br.
Fones : (35) 3434 1213


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